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domingo, 30 de dezembro de 2012

Expectativas...



A expectativa é a mutilação de qualquer sentimento. Vivê-los sem deixar a naturalidade guiar é marcar a data do término. Então, na situação corrente o melhor a fazer é aquietar o coração, e focar na própria vida. Abrandar os desejos, deixá-los em estado latente e supor que não é o fim. E supor que a esperança cuida de seguir em frente por conta própria.

Sem deixar de viver cada dia. Entra em contagem regressiva. Dando paciência ao que é necessário, abraçando as pessoas, abraçando as chances.
 
Tem coisas maiores. Mas a gente se deixa sugar pelas menores. Ocupa os pensamentos com tão pouco, com suposições de felicidade, com impressões alheias e distorcidas de você. Indo o mais devagar possível, porque a vida se deixa iluminar calmamente. 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sem despedidas


Uma ligação antecipa, é verdade. Ela dá o tom de emergência pro que merece ter calma. Nem todas as palavras precisam ser verbalizadas, elas podem repousar em um papel guardado, em uma tela. Podem nortear a sua vida pra só depois ocupar-se de outra. 

Há dificuldade em colocar-se no lugar certo. Há dificuldade em acalmar o ânimo e ir vivendo na leveza que proclama por aí. Soluçou por lembranças ouvindo músicas melancólicas. A lembrança tem o tom da melancolia, o tom da saudade. Palavra que guarda, nela só, tantos conflitos. Você sorri e chora junto com ela. Você acalma, apaixona e decide esquecer. E volta. E segue. Faz a volta e retoma o ciclo, esse natural, esse em que as coisas simplesmente passam. 

Escreve pra tentar acreditar. Escreve pra tentar convencer. Mas não se prende ao surto momentâneo e brusco, mas não tem medo de voltar atrás e cometer cada uma das precipitações anteriores. Não tem medo de voltar aos sentidos, de voltar aos conflitos, de voltar às noites em claro guiadas por fotos e músicas que induzem a lembrança. 

Vai correndo em direção aos erros, anseia por cometê-los. Repete os ciclos. Retoma as pessoas. Só não consegue despedir-se. 

Imersa nas mesmas palavras. Naquelas que tem a intenção de abrandar sentimentos. As que vacilam. Sobem o muro e ficam por lá. Seus sentidos em espera. Descansa a tela, a voz, o corpo, o que for possível pra arriscar menos. Passou um tempo beirando o mar, beirando a confusão da vida cheia de conflitos. Enche as frases de entrelinhas. Deixa o subjetivo induzir. É o máximo de exposição possível. 
É o jeito de deixar as coisas ficarem. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Você não é a tranquilidade. Você não é a paciência. Não é o que dá paz. É  a situação confusa. É o momento de escolha. É a dúvida. É o que o mundo decidiu que fosse. 

Você não teve escolha. Você não teve a confusão. É a imagem clara do que os outros tem que seguir. 

Ainda assim, não sabe o que é. Não sabe o que pensa. Não sabe o que sente. É a imagem, é o jeito de vestir, o jeito que entona a voz, é o que faz. Abandonou os verbos, abandonou as ações. É o paraíso do insensato. O paraíso do incapaz. 

E o mundo segue. E as pessoas copiam. Que seja. Que abandone o sentido. Que acompanhe o fluxo. 

Vou indo pelo caminho oposto. Com um sorriso no rosto e um pôr-do-sol pra assistir. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ainda assim...


Não. E não é que eu queira. E não é que eu sinta. Você confronta a realidade, por vezes, e de modo aleatório. Talvez a melhor parte de crescer seja poder pegar um táxi e fugir. E sair. E se afastar. E deixar a vida alheia seguir sem a sua. Não adianta ir se queixando de cada uma das pessoas, não adianta sugar tudo delas. Você é uma só. Uma que vai alimentando aos poucos. Uma comum. Sua voz não é o folego de ninguém, só o seu. É quando respira que sente a vida. E é quando respira que sente ela ir. E é tão breve. Tão sem caminho. Não é o desejo e não é a calma de ninguém. Só é. O jeito que vai indo é o jeito que suporta. O que comporta todo o tempo e qualquer das coisas que sinta. É o seu limite inconcluso. E é o seu complexo cheio das multidões. É assim. É o jeito. É o jeito que encontra a calma, é a paciência de seguir. Que seja esse o sorriso incompleto, que seja essa a voz incompleta. Que o mundo vire as costas e se deixe ir. Alimentou o suficiente. Sugou o suficiente. Foi, por tempo demais, a voz da segurança. Hoje. Hoje, é tão mais simples não ser. É tão mais simples apagar a chama. É tão mais simples sumir um tempo. De um segundo a outro cansa da simplicidade e cansa das escolhas. Suporta a fragilidade como qualquer pessoa. Mesmo uma dessas que abraça a vida. Mesmo uma dessas que acha tudo tranquilo e feliz.

Silencia essa voz interna. Apaixona-se ainda assim.

Ainda assim deixa o tempo passar, de um jeito calmo, de um jeito simples.

Ainda assim... Decide acreditar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


É o folêgo. É a respiração. É o pulso. É tão inevitável quanto. É por onde expele esses sentimentos , é quando acelera, é quando corre, pra longe, em direção. A paciência sem controle. O excesso cheio de limites. A metáfora cansada. A ironia cuidadosa. Desse jeito se explica. Desse jeito contrai o corpo pro fundo da cama, passa o colchão, passa o chão. Encontra pelo térreo o tempo perdido andando pelas ruas. Deixa a parte sufocante pelo décimo andar e desce que a vida é lá fora. Ciente do encontro. Ciente dos sentidos. Sente o toque pelos poros. Os pêlos do braço que arrepiam, a aceleração, a imagem que cuida de manter na memória, a leveza na voz que afasta. 

Chama. A linha suspende. Deixa as esperanças em espera. Pede um tempo pra viver. Aproxima o efêmero e acalma pelo canto o que quer que fique.   


São vários os rostos que passeiam pela sua memória.  Vários os nomes, estados, signos. Experiências que não se apagam. Histórias que não precisam de limites, que não podem ser enquadradas pelo tempo nem pelos padrões do cotidiano. Vou viver por um tempo, guardar por um tempo. Viver a matéria-prima do que se conta. Vou experimentar... Da liberdade extrema à prisão a que as vezes se submete. Vou encontrar com parte dos meus sonhos, esbarrar nas vidas que transformam. Vou respirar fundo, saltar do alto, mergulhar mais fundo... Fazer as ligações inconvenientes, falar o que não devia, agir por impulso... Vou deixar a vida ser como deve, sem cuidados excessivos, sem o medo sufocante. Vou esperar o tempo necessário, não mais que isso. 

E essa é a hora... de deixar o texto incorporar o corpo.  

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Nos últimos dias. Sem exagerar no clichê eu senti que a felicidade é tão simples. Senti que ela é uma conversa em que você consegue sorrir naturalmente, que ela é segurar a sua mão por um tempo. Senti que cada palavra foi dita na hora certa, que cada sensação a flor da pele chegou com calma pra quem é cheia de pressa.  Andava sentindo falta de mim assim. De uma história que pausa o tempo. Nem importa, de fato, se foi ontem, hoje, se continua ou não. Importa o sentimento que fica. 

As pessoas que aparecem, que continuam, que passam, que se despedem... Tem o dom de lhe fazer se conhecer mais. As atitudes, sensações, reações que não teria sem esses encontros, dessas que se pode sentir falta. Você guarda o que viveu, você lembra. Mas não pode se alimentar da expectativa recorrente, exagerada. Eu tenho um nome, poucas fotografias, uma história e várias lembranças... Quem pode dizer o que acontece no outro dia?

Você para. 

Enquanto eu tento evitar... 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


Enquanto eu busco a clareza. Suporto a saudade. Sufoco a rotina...

É nas minhas descuidadas frases, nos sorrisos soltos, aqueles que, vez ou outra, jogo pro espelho, pras situações imaginadas...  É onde eu me exponho.

Esqueci as palavras num canto, ultrapassei os limites, deixei de respeitar o que nos aproximava. Talvez não esteja pronta para enfrentar o que pode acontecer. É mais fácil suportar a distância, é mais fácil imaginar tudo daqui. Aqui onde eu me guardo dos riscos...

O quão alto posso ir?  De onde meus sentimentos podem cair sem que os danos sejam irreversíveis? 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Melhor é guardar essa saudade num canto. Deixar espaço, me afastar dela... Deixa em modo de espera, em descanso. Não adianta sussurrar ao telefone o quanto ela é inexplicável. Tem essa recorrência, essa coisa que tem medo de aproximar, de afastar.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Precisa de um reencontro. O que tem a fazer? Volta às antigas folhas de cadernos, agendas, datas marcadas, tantas as coisas que já passaram por ela. Vai à busca de quem foi pra tentar entender a confusão que a prende em cada novo dia. 

Como o tempo esperado a faz transformar os sentimentos. Como a paciência se esgota. Como as dúvidas vão penetrando tão forte. Como decide apagar tudo pra recomeçar. 

Pensa em queimar as folhas antigas. Pensa em construir uma pessoa nova. Mesmo nome, mesmo rosto, mesma voz. Mas seus silêncios mudam de significado. Suas frases perdem a clareza até que tenha, finalmente, coragem de falar com todas as letras o que a transformou. 

Parte cedo demais... de uma ou outra palavra, dessas que deveriam preencher frases longas cheias de explicações. Mas não consegue evitar e deixa o subtendido, deixa o que viria ser, completar a frase precipitadamente. Interrompe a voz do outro com uma respiração mais forte. Com o “não sei”, que deveria mas não conduz a nada. Não deixa o tempo ser natural, com medo das certezas. É mais fácil impregnar-se de dúvidas. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cada palavra deve ser conduzida com cuidado. Há um amor pela forma de expressão, um que se apega ao papel, à caneta... Um que admira os rabiscos em folhas amareladas. Mesmos as palavras soltas, desconexas, jogadas sem ordem em uma folha lhe parecem caras. De que resulta esse apego que lhe mantém presa a cadernos de histórias que lidas hoje não contam coisa alguma? Busca as referências pelo tempo, pela memória, pelas pessoas que conheceu... O que fica de cada uma dessas experiências são as vozes silenciosas presas no papel. Elas lhe trazem os sorrisos de volta. Elas lhe trazem um sono tranquilo. Mesmo quando constantemente a impedem de dormir. Certas vezes as vozes não lhe importam. O silêncio, ou o som baixo da caneta correndo pelo papel é o que é capaz de tranquilizar o seu dia. 

domingo, 26 de agosto de 2012

Às vezes não preciso de nada além de me ouvir. Às vezes o dia melhora com isso. É quando eu me sinto menos sozinha. Quando os dias passam na velocidade certa. Quando não desejo nada além de estar aqui. Ouvindo. Sendo a pessoa que sempre desejei ser. Quando aqueles sonhos de quando... já nem lembro quando... Quando eles fazem sentido. Quando você sorri sozinha e se sente feliz.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mal diz. Mal preenche o espaço que lhe deixo disponível. Talvez a minha resistência devesse se amplificar. Talvez deva exagerar nos meus limites. Talvez deva inteirar o mundo com as minhas confusões. As que se multiplicam com o passar lento dos segundos de espera. Em um curto intervalo de tempo se questiona, muda de direção, apanha os antigos sentidos que via nas relações desenvolvidas e joga num canto do quarto. Deixa lá. Guarda sem nenhum cuidado. Sufoca as palavras até onde perde controle. Prende às mãos a uma distância frágil do teclado.  Não adiantam os tantos conselhos. Não adiantam os tantos cuidados. Uma parte sua prefere jogar-se em fogo cruzado. Prefere investir no salto, sem perspectivas, sem direções certas. Esse sempre foi o lado que via como o melhor da vida. As incertezas que lhe impulsionam, são sempre tão mais atraentes do que o planejamento de uma história que nem existe.  

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tenho consciência de que nem todas as histórias deveriam ser compartilhadas. Os casos em família ficam pra conversas entre amigos, pra desabafos regados por vezes a algumas bebidas temperadas com um liquido meio salgado que escorre do rosto. Dessas histórias ninguém gosta de ouvir falar. Uma boa conversa costuma ser aquela que consegue ser acompanhada de alguns sorrisos tortos, algumas gargalhadas exageradas, uma teia de causos que uma família do interior pode contar. Nada deveria ficar do rotineiro, dos altos tons de voz, do excesso de solidão a que se submete, da frase mal compreendida, nada deveria ficar além da percepção de que nenhuma família é grande ou pequena, boa ou má o suficiente. Não se trata disso. Nossos casos são os mesmos. Não seria certo comparar histórias. Não seria certo supor, pelo meu lado, maiores dificuldades, maiores perdas.  Qualquer que seja a dificuldade ela consegue ser transformadora. Seja pra lhe fazer aprender, torna-la uma pessoa mais forte, independente, dura. A delicadeza não consegue vencer em todos os dias. Natural. A vida é recheada de altos e baixos, de idas e vindas. Que vá embora então, mas que um dia volte. Talvez nenhuma escolha e nenhuma palavra seja realmente definitiva. Mas fica uma cicatriz, uma especificamente, que lhe volta à memória, que lhe faz desejar tantas coisas outra vez. Juntando o medo na bagagem, carregando cada uma das lembranças que ficaram presas nessas paredes, tudo o que eu quero, no fundo, é poder ir. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Preciso...


Do que mais eu preciso? Afugentar esses medos enraizados. Admitir a necessidade de começar outra coisa, ainda que não saiba exatamente o que. Preciso romper laços para dar início a outros.  Preciso admitir a minha confusão para poder desejar que qualquer pessoa seja capaz de me aceitar. Preciso de um descanso, um desses que deixa tudo tão quieto que o som da respiração parece grito. Preciso mais ainda do silêncio. Mas aquele silêncio, aquele em que alguém lhe socorre e segura sua mão. Preciso da palavra equilíbrio estampada no meu rosto. Preciso das utopias que deixei adormecer. Preciso voltar a acreditar em tanta coisa. A primeira delas é acreditar em quem eu encontro do outro lado do espelho.

Preciso que o tempo se alterne, que ele seja lento, que ele seja rápido.  Preciso que ele acompanhe a minha pulsação. Preciso escolher ou posso seguir todos os caminhos? 

domingo, 1 de julho de 2012

Não preciso tentar resgatar tudo. Algumas coisas merecem, mais do que isso, precisam de um ponto final. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Deixei o tempo me absorver. Deixei que ele me sustentasse durante esses dias. Somente ele. Alterno os dias em que me sinto suficiente. Alterno os dias em que os sorrisos ou a felicidade é sincera. Quero que o mundo, que essas pessoas, me deixem ir. Quero conseguir deixá-las.

A gente guarda com cuidado as pessoas que aparecem na nossa vida. A gente conhece de perto algumas delas. A gente se despede de outras. A vida vai seguindo com leveza, enquanto você aprende a estreitar e romper laços. Nesse momento, deixei uma pessoa ir. Me libertei de expectativas, de vontades. Ao mesmo tempo, o encontro com pessoas, mesmo fora do meu cotidiano, trouxeram uma luz que merece ser expandida. Dia a dia, dando tempo, deixando um pedaço delas guardadas por aqui. Deixaram sorrisos, agradecimentos, experiências, e uma saudade que cuida de ocupar tudo. O que se guarda é uma experiência que aflora os sentimentos mais conflitantes. Tem vontade de se aproximar, de se afastar. Tem vontade de deixar a vida respirar um tempo, enquanto você se recupera. Enquanto seu corpo, enquanto seu coração,  ficam em sintonia pra lhe deixar em paz. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

E se...


A manhã suspende esse ar novo. Acorda não em um novo dia, mas em uma reinvenção do dia anterior. Fica revivendo as mesmas experiências, assistindo e lendo as mesmas coisas, procurando pelo que pode ter deixado passar. Não é que queira corrigir erros, ou voltar o tempo pra tentar outra vez... Só quer repetir cada uma das coisas ditas e feitas para em algum momento, sem pressa, entender.

A compreensão, a verdade pode ajudar ou magoar ainda mais. E se... E se o tempo não adiantar? E se o problema não foi esse? E se você realmente causou tudo? Quando é você a causa dos términos, dos inicios... É possível revivê-los sem sentir certa culpa?

Escolhendo entre os diversos conselhos e observações dadas, um ponto é comum. Esse “e se...” definitivamente não ajuda. Esse “e se...” te suga tanto que tempo nenhum vai cuidar de cicatrizar seja lá que ferida for essa, que dói sem sangrar.

A... não muito tempo atrás, eu agradecia. Por algum motivo qualquer desses sofrimentos me parecia necessário, hoje nem sei exatamente pra quê. Claro que há aquele discurso clichê de valorização, de “como se conhece a felicidade sem viver a tristeza?”. Do quanto essas experiências nos acrescentam, nos fazem amadurecer etc. etc. etc. Seria mais fácil se nesse sentido fôssemos todos tão infelizes..., tão felizes..., se em cada um dos dias, você soubesse e aceitasse que os sentimentos opostos estariam por vir.

Alguém realmente consegue pensar nisso em qualquer hora de felicidade ou tristeza ou medo ou angústia? Já não haveria surpresas. Já não haveria incômodos, incertezas, incoerências. Seriámos programados a aceitar as curvas desses altos e baixos da vida, com a delicadeza, com a tranquilidade que, definitivamente, não existe em nenhum de nós.

Somos todos idiotas, estúpidos, incoerentes... Por deixarmos os sentimentos aflorarem a tal ponto que se guarda o controle no bolso e fala e faz o que não deveria falar ou fazer. Somos? Fazemos isso. Mas somos qualquer coisa especifica por isso? [...] Somos somente os loucos que por mais improvável que pareça acreditam em “segundas chances”, acreditam que devem falar tudo, acreditam que a sinceridade vai construir uma história melhor do que passar os dias fingindo, com um sorriso torto,  aceitar tudo como é.

Não importa o quão estúpido pareça. Não importa o quão imaturo pareça. Ninguém precisa passar os dias preocupando-se com o que qualquer um vá pensar. Todos podem ter certeza que qualquer das observações ou criticas passaram pela cabeça antes. Antes de cada frase, antes de cada mensagem, cada ligação, cada insistência... Só não acho que devamos parar, não por isso. O tempo é suficiente para certezas e arrependimentos, ele é suficiente para nos deixar viver e depois deixar tudo, sem que ao menos se dê conta, ir.

E assim uma nova história começa e, acompanhada ou não, sempre vale a pena.  

terça-feira, 24 de abril de 2012


Decidi não falar muito alto dessa vez, emendar um sussurro no outro, explodir esses sentimentos de pura incoerência. Acordando antes do sol, o deixando ir lhe banhando pelas frestas da janela até decidir levantar.

Levantar para a vida que se abre tão lentamente, tão delicadamente. Seus passos caminham naquela mesma direção, naquele instinto que absorve os sentidos do ambiente. Sem pensar eles seguem. Tão devagar quanto pode, tão rápido quanto deve. 

Os instantes separam a noite do dia, de alguma forma também nos separam. Da junção deles podemos nos encontrar pelo meio do caminho. Esbarrar em uma rua comum, sorrir pelo canto da boca, fingir nossa intimidade, explicitar nossa distância. Alimentar.

Alimentar o espaço que se forma entre nós. Torná-lo palpável, visível. Os que nos assistem já podem perceber a primeira vista, já não há mais nada. O pouco tempo fez curar. 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Buscando o silêncio


A tranquilidade não é fácil de ser assistida. Os pés e as mãos ficam inquietos, o sorriso e o olhar ficam passeando pelos lugares. Aqueles que lhe afligem a memória, aqueles que contam de si mais do que a voz. Perdeu-se entre os cuidados alheios. Procurou a simpatia escorregadia dos sentimentos alheios. Deixou-se naquele confuso mundo de outras pessoas. Existia para essas outras impressões. Essas... Essas com as quais não pode contar. Porque o tempo não foi suficiente para que se fizesse entender. E talvez nunca seja. Escorrega em direção à própria vida. De uma á outra respiração, corre prendendo, segurando o fôlego, alimentando esperanças frágeis que se dispersam na primeira busca sem resposta. Olhou pra tela. Olhou pras telas. Aquelas que ficam tentando usurpar a sua vida. Aquele mundo paralelo que lhe preenche em horário comercial, que lhe preenche pela madrugada adentro. Que lhe suga em tempo integral. E sem resposta a respiração pausa. Ela deita com o olhar diferente. Com o sorriso parado. Aquele que não reage mais. Aquele que se acostumou. Buscando um utópico estado de paz absoluto. Buscando isolar-se das multidões que vivem em sua cabeça. 

Buscando o silêncio. 

domingo, 22 de abril de 2012

"Eu a amava, em suma. E era infeliz. Mas como poderia ela algum dia entender essa minha infelicidade? Há aqueles que se condenam ao cinzento da vida mais medíocre porque tiveram alguma dor, alguma desgraça; mas há também aqueles que o fazem porque tiveram mais sorte do que podiam suportar". 

(Italo Calvino)

terça-feira, 17 de abril de 2012

O que pôde fazer? Correr. De um prédio fechado, as paredes que se fechavam em torno de si. E corria. Como se pudesse passar por elas. Como se fugisse e ao mesmo tempo fosse de encontro aos seus medos. Estavam todos lá, tão presos quanto eu, mas parados. Comportamentos diferentes, com certeza.

Quem é capaz de correr e me encontrar na porta?

Sei que nossos medos, receios são os mais diversos. Sei que eles não se encontram em um ponto e passam a caminhar juntos. Sei que cada um tem suas próprias referências, vontades, desejos... Será que em alguma parte do caminho eles podem se encontrar outra vez? Ou será que fingimos demais, que mantemos os nossos sonhos calados para tentar viver essa coincidência?

Uma breve coincidência.

Uma que não lhe deu tempo de falar ou demonstrar qualquer coisa, além da reserva que tem em relação a qualquer outra pessoa que chegue perto e ocupe um pouco os seus pensamentos.

Foi do jeito errado? Já não dá pra saber e talvez nem mesmo importe.  Essa intenção de progredir com a vida em fases, de ir amadurecendo, crescendo... Em alguns pontos encontra falhas. Em algum ponto todos nós somos extremamente imaturos, não é a idade ou o que já viveu antes que dita certo sentimentos. As diferenças estão em quem consegue ou não contê-los, disfarça-los, fingi-los.

Passamos de um ponto para outro. Do que começa ao que acaba. Do que alimenta ao que mata algumas esperanças. A vida é cheia desses clichês que parecem obra do acaso, que parecem contar e coincidirem na vida de cada um. Somos diferentes, definitivamente. E, ao mesmo tempo, tão iguais. Tão insensatos, tão difíceis, tão complexos...

Dias

É assim que acontece um dia.

Em um dia você aprende a sufocar esses sentimentos. 
No outro decide abrir as portas do mundo. 
Em um dia sente falta. 
No outro acorda com um sorriso incontido no rosto. 

Aquele simples dia em que volta à sua determinada tranquilidade e leveza.

A sucessão de dias.

O tempo que vai sendo preenchido. 

Dispersa os próprios excessos e deixa a calma entrar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Aprendi a arte da insistência do jeito errado. É como se me colocasse sempre diante das coisas, como se deixasse esse ir e vir, esses caminhos meio escuros que vão se abrindo tomarem conta de parte dos meus dias. Nem sei como. Já me orgulhei das minhas características mutáveis, daquele aprendizado que vai correndo junto com você em direção a qualquer coisa que lhe pareça bom naquele breve momento. Depois de instantes, no máximo alguns dias, o tempo muda, o humor muda, o sentido daquela decisão que anteriormente parecia tão acertada e esperançosa fica meio difuso. Você se pergunta se deveria ter parado e pensado um pouco mais, se deveria ter dado mais chance aos dias nublados, solitários, leves, calmos... Será? Será que a minha capacidade de encarar a vida tranquilamente sustenta outra pessoa? Será que a minha felicidade consegue absorver as concessões que têm que ser feitas? Será que eu sou realmente capaz disso? Dessa insistência. Dessa dúvida. Desse excesso de cuidados do que pode ou não ser dito, do que pode ou não ser feito?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

...

A gente conversa durante algum tempo. Um fingindo que ouve o que o outro fala. Os dois tentando adivinhar o que sentem. Quanto tempo dura as incoerências entre os sentimentos e as suas ações? Até quando resiste ao tempo incompleto que o mundo lhe dá? Estou sempre indo de encontro ao que deveria ser a minha tranquilidade. Será que realmente adianta insistir, adianta sufocar isso, adianta tentar? Quando o equilíbrio se dispersa essas minhas mesmas histórias perdem o sentido. Já não me sinto suficiente. De um dia pro outro não me sustento mais, não completo mais. Sou uma fração, um pedaço, uma parte minha da qual sempre tento fugir. Uma parte que tenta sufocar, uma que me tira o sono, a paciência... Uma que aparece do nada pra tomar o lado bom das coisas que eu posso viver. Preciso me soltar dessa parte... Preciso voltar... 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não me preocupo muito com as muitas contradições de sentimentos que podem aparecer por aqui. É natural que as nossas impressões sobre o mundo, sobre as pessoas se transformem. Talvez porque nós, principalmente nós, mudados diariamente. Vivemos entre ondas de momentos felizes, tristes, angustiantes, libertadores... A vida não teria a mesma graça se fosse previsível. As nossas relações também não. 


Não sou exatamente um modelo, um exemplo bem sucedido entre algumas relações. As maravilhosas concentram-se na minha absurda sorte de ter uns bons amigos que insistem em melhorar e, quando necessário, acalmar os meus dias. Mas existem outras pessoas. É estranho não termos a consciência do quanto podemos transformar, influenciar, incentivar a história de pessoas que às vezes não só parecem, realmente são, distantes. Uma conversa, uma troca de interesses comuns e surge um ânimo que não tinha há vários dias, meses talvez. 


Dá uma vontade de agradecer às pessoas, algumas delas, simplesmente por existirem. Por terem me dado atenção, ainda que breve, em um dia que só você sabe o quanto estava sendo frustrante ou triste ou “trágico”. Dá vontade de desenvolver uma longa conversa pra explicar o que lhe fez se aproximar. Algumas frases soam estranhas, precipitadas, excessivas.  E podem, muitas vezes, passar uma impressão completamente distorcida. Nem sempre existem interesses, seja de que ordem for, em um inicio de conversa. Às vezes é somente um pequeno pedido de tempo, alguma coisa que lhe traga um sorriso caloroso de boas vindas. 


O que explica você sentir-se livre para falar com pessoas que mal conhece? Não que seja mais fácil. Mas é tão natural. Tenho que desenvolver ainda mais minha compreensão enquanto assisto algumas pessoas, bem próximas inclusive, guardarem tanto de si, às vezes somente, para o próprio reflexo.

Eu sei o porquê, ainda que não consiga explicar, mas o dia me deu um grande empurrão pra felicidade hoje. É bom manter um dia que sente a leveza de novos encontros. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Confiança


O que acontece é que as pessoas não estão prontas para a sinceridade alheia. Por vezes, me parece que são igualmente incapazes de, mesmo solitariamente, olharem-se no espelho e admitir a imperfeição. A capacidade de falar da própria vida, dos próprios sentimentos mais afasta. Somos realmente dignos uns dos outros? Estamos realmente nos cercando das pessoas em quem podemos confiar? Não achei que precisássemos pôr limites para a nossa sinceridade, para a nossa confiança. O cotidiano mostra que me enganei. São as pessoas sinceras as que mais sofrem. Elas se fragilizam em cada conversa. O risco é partirem completamente para a direção oposta. E ela pode decidir não voltar. Pode decidir estagnar-se na solidão que suporta suas palavras. No espaço que não lhe critica. Na tranquilidade tumultuada que mantém dentro de si.

[28.11.2011]

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Passado...


Tentamos ser suficientes... Tentamos nos bastar... Nem sempre funciona, nem sempre é capaz de olhar pra si mesmo.  Inverte suas prioridades, inverte os seus sonhos. Às vezes comete o erro de pôr-se imediatamente após todos os outros. Acredita nas promessas antecipadamente descumpridas... Ainda lembra-se de uma frase dita a mais de dez anos, uma frase de uma música que deixa uma lágrima brotar no canto do olho quando ouve. Continua. Ainda que o tempo passe... Hoje olha para algumas de suas histórias à distância, àquela distância permitida pelo tempo, àquela que deveria ter a intenção de curar. Sinto informar que não cura. Uma lembrança guarda-se... Ainda que inconsciente, ela insiste em voltar. Em uma frase que ouve de qualquer outra pessoa, em uma música, em um lugar, um cheiro... Naquelas coisas que afetam os nossos sentidos sem que possamos ter controle. Eu guardo esse meu tempo. Esse que me permite lembrar, reviver... A memória não só gera uma certa nostalgia, ela nos faz observar as coisas de um modo diferente. Assim, o passado não deixa de nos construir, ele não deixa as marcas cicatrizarem... Ele nos permite uma transformação diária. Ele se liga ao nosso presente, ao nosso futuro e, interagindo com eles, nos dá a escolha... Podemos reproduzi-lo ou não. Podemos amadurecer o tempo que nos ocupa. Podemos absorver mais esses sentimentos. Podemos contemplá-los ou podemos vivê-los. Parte da nossa vida é composta pelas nossas escolhas. E elas são construídas ou alimentadas ou questionadas... sem forçar... pelo que vivemos (no passado, no presente e no futuro).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Entre Semelhanças



Ela é a primeira, ele é o segundo. E a ordem se desenvolve... Confunde-se. Mas não importa... Porque cada palavra cabe nas duas bocas. Serve para os dois. Como se fossem parte de uma coisa só. Como se descobrissem um ao outro quando descobrem a si mesmos...

- Não achei que fosse existir alguém. 

- É, nem eu.

- Já tinha aceitado a difícil ideia de envelhecer e encarar a vida e a morte sozinha...

- De alguma forma isso vai acontecer...

- De alguma forma. Antes seria de todas as formas. Hoje eu tenho uma parte de você guardada em mim. Ainda que não esteja perto, eu nunca fico realmente sozinha.

- Não sei como aconteceu...

- Acho que não precisamos saber como ou porque, basta aceitar de braços abertos o que aconteceu...

- Ainda assim... É como se tivéssemos juntado nossas bolhas, como se tivéssemos encontrado um ao outro nesse espaço compartilhado, que se opõe ao resto do mundo.

- É verdade. Não é à toa... Os olhos estranhos do mundo não conseguem nos compreender.

- Nem poderiam.

- São todos concentrados e apressados demais para encarar as palavras que os cercam.

- Não entendo como alguém é capaz de viver sem um mínimo de poesia.

- Também não entendo. É como se fossem cegos até pro que acontece ao redor. Não precisam abrir livros, como nós, mas são ainda incapazes de sequer olhar para a própria vida. Nem a inspiração, a matéria-prima conseguem encontrar.

- Não conseguiria viver com um deles.

- Não conseguiria viver com uma delas.

- Você acredita que algumas pessoas foram feitas para outras? Que estávamos nos procurando até agora, esse momento em que esbarramos nas palavras um do outro?

- Não sei se seria necessário acreditar nisso, mas admitir o amor que surgiu. Não é com qualquer pessoa que podemos compartilhar o espaço que escolhemos pôr ao nosso redor.

- Você se protege do mundo, eu também. Ficamos bem juntos.

- Não acho que seja proteção. Só esperamos que a pessoa certa esbarre e fure esse cerco. Aconteceu. Alguma coisa nos trouxe liberdade e não sei se ela teria a mesma força se pudesse explicar com palavras o que aconteceu.

- Não poderíamos. A nossa poesia está na tentativa, na possibilidade de outras histórias completarem as nossas frases. Afinal, não somos os únicos que se encontraram no espaço aleatório... No tempo aleatório...

- Alguém mais deve ter vivido uma vida como a nossa. Talvez já a tenhamos vivido, afinal.

- Talvez, seria coincidência demais acreditar que viemos ao mundo pela primeira vez e prontos um para o outro.

- Acho que passamos várias vidas nos preparando para isso.

- Também acho.

- Só agora, só nessa vida, consigo olhar sobre os seus ombros e adivinhar pelos seus olhos que palavras o emocionaram, e como o emocionaram.

- Só agora consigo me deixar entreter pelo seu olhar curioso que me observa em meio à distração.

- Olhamos para o livro do outro.

- Lemos nossas histórias, alguém deve, afinal, ter-se inspirado em nós.

- Em algum momento nossos olhos fogem dos livros.

- Eu posso encontrar toda a história dentro de você.

- Eu posso vivê-la com você.

Enquanto duram as páginas dos livros em suas mãos, eles são como almas gêmeas. Foi por partilharem exatamente esse momento, esse, nenhum outro, que descobriram que podiam se amar. Já era tarde quando pensaram em mudar isso e partir para outros gêneros. A partir daquele dia, no momento em que as folhas dispersavam, ou que os olhos precisavam de descanso, bastava olhar para o lado. Um olhava, depois o outro. Assim permaneciam noites e dias inteiros, enfrentando o passar do tempo somente porque sabiam que o outro estaria ali. Mais tarde deixavam as páginas descansarem sobre a mesa, deixavam as mãos descasarem juntas, deixavam a respiração ser contagiada pela proximidade. Concentravam-se para encarnar seus personagens. Eram das letras os dois. Por seus olhos e por suas palavras inspiravam-se, amavam-se e viviam. Por isso sabiam que nada encerra tão bruscamente. Por isso sabiam que naquele momento, por estarem juntos, já estavam presos na eternidade.