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quarta-feira, 12 de junho de 2013

A felicidade anda leve.

Ela vem no ritmo das páginas de uma biografia.
Vem na nostalgia de alguns reencontros.
Na perspectiva de novos.
Nos sonhos que vão criando forma.
Enquanto outros se formam.
A felicidade anda leve.
Deixando a cidade frustrar o medo.
Respirando fundo, adquirindo calma.
Nadando, literalmente.
Tentando multiplicar o tempo.
Fugindo de suposições.
E colocando pontos nas histórias inacabadas. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Barba ensopada de sangue - Daniel Galera




Tão melhor do que eu esperava. A sinopse pode dizer sobre o que o livro é, pode apresentar o inicio da história, incluir seus personagens e induzir o interesse. Não foi assim. Adentrei pelas páginas do livro sem apresentações. Pelo nome do autor, indicação de uma amiga. Me apresentei meio recatada a uma das ótimas experiências literárias que chegou de uma coincidência. Não vejo melhor forma de se identificar com as pessoas do que falar sobre um bom livro, uma boa música, do que falar sobre os sonhos e histórias que em algum momento a vida já sugeriu pra você.

Honestamente, no inicio me pareceu um personagem tão sem atrativos, com a vida comum e cotidiana que já nos impregna o suficiente. Em um inicio breve, tão breve. Talvez somente nas primeiras linhas, talvez só pelo meu afastamento involuntário de obras puramente literárias. Andava imersa em histórias e pesquisas e entrevistas. Tão melhor voltar dessa forma, com esse livro. Com uma conquista que foi se consolidando a cada página, em cada encontro do personagem, em cada imersão, quando o autor consegue fazer com que tenha a impressão de que esbarrou com essa pessoa pelas ruas, que andou pela orla dessa praia e acenou pra ele que não demonstrou nem sinal de reconhecimento. 

Alguns trechos ecoam, algumas frases lhe fazem sentir próxima. E de uma forma realmente estranha é difícil desapegar. Como se a água salgada em busca da sobrevivência não lhe tivesse sufocado o suficiente, como se a recuperação da cachorra não tivesse sido assistida o suficiente, como se o encontro imaginado, como se as imagens imaginadas por anos estivessem perto de concretizar e você não “assistiu”. Como se houvesse uma grande reviravolta por vir. Daí percebe que não é nisso que a beleza do livro chega ao extremo, é uma vida condensada de experiências que não precisariam ser extremamente exploradas pra fascinar, bastava. 

Os contos que a vida nos apresenta cotidianamente, as conversas que temos durante, os encontros que temos, as coisas em que esbarramos, as lendas e histórias familiares, o desmembramento da nossa árvore genealógica, são detalhes da vida que parecem tão mais interessantes agora.

Surge um sorriso involuntário de despedida no meu rosto fechando o livro. A história não se encerra na minha cabeça essa noite. 

Amanhã abro espaço pro encantamento do novo. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A saudade acumulada apagou de vez


Vou dizer do que eu sinto falta. Mais do silêncio que da conversa. Mais da distância que da presença. É fácil acreditar que foi forte quando se tem a distância pra catalisar isso.  Essa é a hora de acreditar que qualquer possibilidade ali estaria fadada ao fracasso. Somos semelhantes à distância. Funcionamos pelo telefone. Você aprendeu a jogar mensagens e achar a ausência de respostas natural. Aprendeu a acreditar nas palavras mais que no tom de voz. Imaginou que a semelhança fosse suficiente para confiar. Imaginou relações próximas, mudanças, desejou arriscar, foi falando mais alto as palavras que lhe sugeriram evitar.

A saudade acumulada apagou de vez.

E chega a parte em que precisa agradecer. Agradecer o tom melancólico que a vida coloca a sua frente.  Agradecer o empurrão de ter que acordar sem ficar carregando esperanças ancoradas na vida de outra pessoa.  Não que tenha tido tempo. Não que tenha sido limitada a esse ponto. Só aproximou mais do que o corpo e deixou ficar. Deixou-se ligada, mantendo o lugar vago. Mantendo expectativas e impressões rasas de quem quer que fosse.

Chega brusco e sem despedidas. Enquanto saio frágil e descuidada. Soltando frases desconexas pela rua, me deixando afetar por cada imagem e som que ousam chegar perto.  

Estou voltando.

E o que importa é:

A saudade acumulada apagou de vez.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

De quem se despede...


O abraço de despedida é o mais forte possível. Nele, nesse que aparece sem se anunciar, você coloca as esperanças, as angústias, coloca o sorriso e o choro por ter que deixar ir. E, antes do outro, despede-se do sentimento que abrandou e cultivou por certo tempo. 

Certo tempo. Certo tempo. 

Tempo que se tornou insuficiente, que não foi capaz de sufocar as distâncias. Dos sentimentos que teve, o aprendizado não ficou. Ele ressuscitou as antigas histórias, fez sentir saudade e apegar-se a fotografias de um tempo em que o sorriso era mais leve, era imprudente... 

Porque a felicidade, sim, a gente tem o dever de espalhar. E que o vento faça-a alcançar outros. 

Deixa ir, dessa vez, com um sorriso mais leve. Antes a pausa, antes o ponto, do que a interrogação que as reticências significam. Não manda mais beijos aleatórios. Vai sem cuidado trilhando o caminho do imprevisto. Imprecisões, surpresas, frases camufladas, sentimentos distorcidos. 

O feriado lhe guarda e o carnaval anunciado vai ser em silêncio. No silêncio bem-vindo. Regado às minhas próprias escolhas, ao que me surpreende e me acorda todas as manhãs. Se eu achei, por minutos, que o sorriso não viria. Ele veio. E veio mais forte que antes, porque dessa vez ele parte de mim. 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Expectativas...



A expectativa é a mutilação de qualquer sentimento. Vivê-los sem deixar a naturalidade guiar é marcar a data do término. Então, na situação corrente o melhor a fazer é aquietar o coração, e focar na própria vida. Abrandar os desejos, deixá-los em estado latente e supor que não é o fim. E supor que a esperança cuida de seguir em frente por conta própria.

Sem deixar de viver cada dia. Entra em contagem regressiva. Dando paciência ao que é necessário, abraçando as pessoas, abraçando as chances.
 
Tem coisas maiores. Mas a gente se deixa sugar pelas menores. Ocupa os pensamentos com tão pouco, com suposições de felicidade, com impressões alheias e distorcidas de você. Indo o mais devagar possível, porque a vida se deixa iluminar calmamente. 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sem despedidas


Uma ligação antecipa, é verdade. Ela dá o tom de emergência pro que merece ter calma. Nem todas as palavras precisam ser verbalizadas, elas podem repousar em um papel guardado, em uma tela. Podem nortear a sua vida pra só depois ocupar-se de outra. 

Há dificuldade em colocar-se no lugar certo. Há dificuldade em acalmar o ânimo e ir vivendo na leveza que proclama por aí. Soluçou por lembranças ouvindo músicas melancólicas. A lembrança tem o tom da melancolia, o tom da saudade. Palavra que guarda, nela só, tantos conflitos. Você sorri e chora junto com ela. Você acalma, apaixona e decide esquecer. E volta. E segue. Faz a volta e retoma o ciclo, esse natural, esse em que as coisas simplesmente passam. 

Escreve pra tentar acreditar. Escreve pra tentar convencer. Mas não se prende ao surto momentâneo e brusco, mas não tem medo de voltar atrás e cometer cada uma das precipitações anteriores. Não tem medo de voltar aos sentidos, de voltar aos conflitos, de voltar às noites em claro guiadas por fotos e músicas que induzem a lembrança. 

Vai correndo em direção aos erros, anseia por cometê-los. Repete os ciclos. Retoma as pessoas. Só não consegue despedir-se. 

Imersa nas mesmas palavras. Naquelas que tem a intenção de abrandar sentimentos. As que vacilam. Sobem o muro e ficam por lá. Seus sentidos em espera. Descansa a tela, a voz, o corpo, o que for possível pra arriscar menos. Passou um tempo beirando o mar, beirando a confusão da vida cheia de conflitos. Enche as frases de entrelinhas. Deixa o subjetivo induzir. É o máximo de exposição possível. 
É o jeito de deixar as coisas ficarem. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Você não é a tranquilidade. Você não é a paciência. Não é o que dá paz. É  a situação confusa. É o momento de escolha. É a dúvida. É o que o mundo decidiu que fosse. 

Você não teve escolha. Você não teve a confusão. É a imagem clara do que os outros tem que seguir. 

Ainda assim, não sabe o que é. Não sabe o que pensa. Não sabe o que sente. É a imagem, é o jeito de vestir, o jeito que entona a voz, é o que faz. Abandonou os verbos, abandonou as ações. É o paraíso do insensato. O paraíso do incapaz. 

E o mundo segue. E as pessoas copiam. Que seja. Que abandone o sentido. Que acompanhe o fluxo. 

Vou indo pelo caminho oposto. Com um sorriso no rosto e um pôr-do-sol pra assistir. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ainda assim...


Não. E não é que eu queira. E não é que eu sinta. Você confronta a realidade, por vezes, e de modo aleatório. Talvez a melhor parte de crescer seja poder pegar um táxi e fugir. E sair. E se afastar. E deixar a vida alheia seguir sem a sua. Não adianta ir se queixando de cada uma das pessoas, não adianta sugar tudo delas. Você é uma só. Uma que vai alimentando aos poucos. Uma comum. Sua voz não é o folego de ninguém, só o seu. É quando respira que sente a vida. E é quando respira que sente ela ir. E é tão breve. Tão sem caminho. Não é o desejo e não é a calma de ninguém. Só é. O jeito que vai indo é o jeito que suporta. O que comporta todo o tempo e qualquer das coisas que sinta. É o seu limite inconcluso. E é o seu complexo cheio das multidões. É assim. É o jeito. É o jeito que encontra a calma, é a paciência de seguir. Que seja esse o sorriso incompleto, que seja essa a voz incompleta. Que o mundo vire as costas e se deixe ir. Alimentou o suficiente. Sugou o suficiente. Foi, por tempo demais, a voz da segurança. Hoje. Hoje, é tão mais simples não ser. É tão mais simples apagar a chama. É tão mais simples sumir um tempo. De um segundo a outro cansa da simplicidade e cansa das escolhas. Suporta a fragilidade como qualquer pessoa. Mesmo uma dessas que abraça a vida. Mesmo uma dessas que acha tudo tranquilo e feliz.

Silencia essa voz interna. Apaixona-se ainda assim.

Ainda assim deixa o tempo passar, de um jeito calmo, de um jeito simples.

Ainda assim... Decide acreditar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


É o folêgo. É a respiração. É o pulso. É tão inevitável quanto. É por onde expele esses sentimentos , é quando acelera, é quando corre, pra longe, em direção. A paciência sem controle. O excesso cheio de limites. A metáfora cansada. A ironia cuidadosa. Desse jeito se explica. Desse jeito contrai o corpo pro fundo da cama, passa o colchão, passa o chão. Encontra pelo térreo o tempo perdido andando pelas ruas. Deixa a parte sufocante pelo décimo andar e desce que a vida é lá fora. Ciente do encontro. Ciente dos sentidos. Sente o toque pelos poros. Os pêlos do braço que arrepiam, a aceleração, a imagem que cuida de manter na memória, a leveza na voz que afasta. 

Chama. A linha suspende. Deixa as esperanças em espera. Pede um tempo pra viver. Aproxima o efêmero e acalma pelo canto o que quer que fique.   


São vários os rostos que passeiam pela sua memória.  Vários os nomes, estados, signos. Experiências que não se apagam. Histórias que não precisam de limites, que não podem ser enquadradas pelo tempo nem pelos padrões do cotidiano. Vou viver por um tempo, guardar por um tempo. Viver a matéria-prima do que se conta. Vou experimentar... Da liberdade extrema à prisão a que as vezes se submete. Vou encontrar com parte dos meus sonhos, esbarrar nas vidas que transformam. Vou respirar fundo, saltar do alto, mergulhar mais fundo... Fazer as ligações inconvenientes, falar o que não devia, agir por impulso... Vou deixar a vida ser como deve, sem cuidados excessivos, sem o medo sufocante. Vou esperar o tempo necessário, não mais que isso. 

E essa é a hora... de deixar o texto incorporar o corpo.  

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Nos últimos dias. Sem exagerar no clichê eu senti que a felicidade é tão simples. Senti que ela é uma conversa em que você consegue sorrir naturalmente, que ela é segurar a sua mão por um tempo. Senti que cada palavra foi dita na hora certa, que cada sensação a flor da pele chegou com calma pra quem é cheia de pressa.  Andava sentindo falta de mim assim. De uma história que pausa o tempo. Nem importa, de fato, se foi ontem, hoje, se continua ou não. Importa o sentimento que fica. 

As pessoas que aparecem, que continuam, que passam, que se despedem... Tem o dom de lhe fazer se conhecer mais. As atitudes, sensações, reações que não teria sem esses encontros, dessas que se pode sentir falta. Você guarda o que viveu, você lembra. Mas não pode se alimentar da expectativa recorrente, exagerada. Eu tenho um nome, poucas fotografias, uma história e várias lembranças... Quem pode dizer o que acontece no outro dia?

Você para. 

Enquanto eu tento evitar... 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


Enquanto eu busco a clareza. Suporto a saudade. Sufoco a rotina...

É nas minhas descuidadas frases, nos sorrisos soltos, aqueles que, vez ou outra, jogo pro espelho, pras situações imaginadas...  É onde eu me exponho.

Esqueci as palavras num canto, ultrapassei os limites, deixei de respeitar o que nos aproximava. Talvez não esteja pronta para enfrentar o que pode acontecer. É mais fácil suportar a distância, é mais fácil imaginar tudo daqui. Aqui onde eu me guardo dos riscos...

O quão alto posso ir?  De onde meus sentimentos podem cair sem que os danos sejam irreversíveis? 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Melhor é guardar essa saudade num canto. Deixar espaço, me afastar dela... Deixa em modo de espera, em descanso. Não adianta sussurrar ao telefone o quanto ela é inexplicável. Tem essa recorrência, essa coisa que tem medo de aproximar, de afastar.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Precisa de um reencontro. O que tem a fazer? Volta às antigas folhas de cadernos, agendas, datas marcadas, tantas as coisas que já passaram por ela. Vai à busca de quem foi pra tentar entender a confusão que a prende em cada novo dia. 

Como o tempo esperado a faz transformar os sentimentos. Como a paciência se esgota. Como as dúvidas vão penetrando tão forte. Como decide apagar tudo pra recomeçar. 

Pensa em queimar as folhas antigas. Pensa em construir uma pessoa nova. Mesmo nome, mesmo rosto, mesma voz. Mas seus silêncios mudam de significado. Suas frases perdem a clareza até que tenha, finalmente, coragem de falar com todas as letras o que a transformou. 

Parte cedo demais... de uma ou outra palavra, dessas que deveriam preencher frases longas cheias de explicações. Mas não consegue evitar e deixa o subtendido, deixa o que viria ser, completar a frase precipitadamente. Interrompe a voz do outro com uma respiração mais forte. Com o “não sei”, que deveria mas não conduz a nada. Não deixa o tempo ser natural, com medo das certezas. É mais fácil impregnar-se de dúvidas. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cada palavra deve ser conduzida com cuidado. Há um amor pela forma de expressão, um que se apega ao papel, à caneta... Um que admira os rabiscos em folhas amareladas. Mesmos as palavras soltas, desconexas, jogadas sem ordem em uma folha lhe parecem caras. De que resulta esse apego que lhe mantém presa a cadernos de histórias que lidas hoje não contam coisa alguma? Busca as referências pelo tempo, pela memória, pelas pessoas que conheceu... O que fica de cada uma dessas experiências são as vozes silenciosas presas no papel. Elas lhe trazem os sorrisos de volta. Elas lhe trazem um sono tranquilo. Mesmo quando constantemente a impedem de dormir. Certas vezes as vozes não lhe importam. O silêncio, ou o som baixo da caneta correndo pelo papel é o que é capaz de tranquilizar o seu dia. 

domingo, 26 de agosto de 2012

Às vezes não preciso de nada além de me ouvir. Às vezes o dia melhora com isso. É quando eu me sinto menos sozinha. Quando os dias passam na velocidade certa. Quando não desejo nada além de estar aqui. Ouvindo. Sendo a pessoa que sempre desejei ser. Quando aqueles sonhos de quando... já nem lembro quando... Quando eles fazem sentido. Quando você sorri sozinha e se sente feliz.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mal diz. Mal preenche o espaço que lhe deixo disponível. Talvez a minha resistência devesse se amplificar. Talvez deva exagerar nos meus limites. Talvez deva inteirar o mundo com as minhas confusões. As que se multiplicam com o passar lento dos segundos de espera. Em um curto intervalo de tempo se questiona, muda de direção, apanha os antigos sentidos que via nas relações desenvolvidas e joga num canto do quarto. Deixa lá. Guarda sem nenhum cuidado. Sufoca as palavras até onde perde controle. Prende às mãos a uma distância frágil do teclado.  Não adiantam os tantos conselhos. Não adiantam os tantos cuidados. Uma parte sua prefere jogar-se em fogo cruzado. Prefere investir no salto, sem perspectivas, sem direções certas. Esse sempre foi o lado que via como o melhor da vida. As incertezas que lhe impulsionam, são sempre tão mais atraentes do que o planejamento de uma história que nem existe.  

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tenho consciência de que nem todas as histórias deveriam ser compartilhadas. Os casos em família ficam pra conversas entre amigos, pra desabafos regados por vezes a algumas bebidas temperadas com um liquido meio salgado que escorre do rosto. Dessas histórias ninguém gosta de ouvir falar. Uma boa conversa costuma ser aquela que consegue ser acompanhada de alguns sorrisos tortos, algumas gargalhadas exageradas, uma teia de causos que uma família do interior pode contar. Nada deveria ficar do rotineiro, dos altos tons de voz, do excesso de solidão a que se submete, da frase mal compreendida, nada deveria ficar além da percepção de que nenhuma família é grande ou pequena, boa ou má o suficiente. Não se trata disso. Nossos casos são os mesmos. Não seria certo comparar histórias. Não seria certo supor, pelo meu lado, maiores dificuldades, maiores perdas.  Qualquer que seja a dificuldade ela consegue ser transformadora. Seja pra lhe fazer aprender, torna-la uma pessoa mais forte, independente, dura. A delicadeza não consegue vencer em todos os dias. Natural. A vida é recheada de altos e baixos, de idas e vindas. Que vá embora então, mas que um dia volte. Talvez nenhuma escolha e nenhuma palavra seja realmente definitiva. Mas fica uma cicatriz, uma especificamente, que lhe volta à memória, que lhe faz desejar tantas coisas outra vez. Juntando o medo na bagagem, carregando cada uma das lembranças que ficaram presas nessas paredes, tudo o que eu quero, no fundo, é poder ir. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Preciso...


Do que mais eu preciso? Afugentar esses medos enraizados. Admitir a necessidade de começar outra coisa, ainda que não saiba exatamente o que. Preciso romper laços para dar início a outros.  Preciso admitir a minha confusão para poder desejar que qualquer pessoa seja capaz de me aceitar. Preciso de um descanso, um desses que deixa tudo tão quieto que o som da respiração parece grito. Preciso mais ainda do silêncio. Mas aquele silêncio, aquele em que alguém lhe socorre e segura sua mão. Preciso da palavra equilíbrio estampada no meu rosto. Preciso das utopias que deixei adormecer. Preciso voltar a acreditar em tanta coisa. A primeira delas é acreditar em quem eu encontro do outro lado do espelho.

Preciso que o tempo se alterne, que ele seja lento, que ele seja rápido.  Preciso que ele acompanhe a minha pulsação. Preciso escolher ou posso seguir todos os caminhos? 

domingo, 1 de julho de 2012

Não preciso tentar resgatar tudo. Algumas coisas merecem, mais do que isso, precisam de um ponto final. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Deixei o tempo me absorver. Deixei que ele me sustentasse durante esses dias. Somente ele. Alterno os dias em que me sinto suficiente. Alterno os dias em que os sorrisos ou a felicidade é sincera. Quero que o mundo, que essas pessoas, me deixem ir. Quero conseguir deixá-las.

A gente guarda com cuidado as pessoas que aparecem na nossa vida. A gente conhece de perto algumas delas. A gente se despede de outras. A vida vai seguindo com leveza, enquanto você aprende a estreitar e romper laços. Nesse momento, deixei uma pessoa ir. Me libertei de expectativas, de vontades. Ao mesmo tempo, o encontro com pessoas, mesmo fora do meu cotidiano, trouxeram uma luz que merece ser expandida. Dia a dia, dando tempo, deixando um pedaço delas guardadas por aqui. Deixaram sorrisos, agradecimentos, experiências, e uma saudade que cuida de ocupar tudo. O que se guarda é uma experiência que aflora os sentimentos mais conflitantes. Tem vontade de se aproximar, de se afastar. Tem vontade de deixar a vida respirar um tempo, enquanto você se recupera. Enquanto seu corpo, enquanto seu coração,  ficam em sintonia pra lhe deixar em paz. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

E se...


A manhã suspende esse ar novo. Acorda não em um novo dia, mas em uma reinvenção do dia anterior. Fica revivendo as mesmas experiências, assistindo e lendo as mesmas coisas, procurando pelo que pode ter deixado passar. Não é que queira corrigir erros, ou voltar o tempo pra tentar outra vez... Só quer repetir cada uma das coisas ditas e feitas para em algum momento, sem pressa, entender.

A compreensão, a verdade pode ajudar ou magoar ainda mais. E se... E se o tempo não adiantar? E se o problema não foi esse? E se você realmente causou tudo? Quando é você a causa dos términos, dos inicios... É possível revivê-los sem sentir certa culpa?

Escolhendo entre os diversos conselhos e observações dadas, um ponto é comum. Esse “e se...” definitivamente não ajuda. Esse “e se...” te suga tanto que tempo nenhum vai cuidar de cicatrizar seja lá que ferida for essa, que dói sem sangrar.

A... não muito tempo atrás, eu agradecia. Por algum motivo qualquer desses sofrimentos me parecia necessário, hoje nem sei exatamente pra quê. Claro que há aquele discurso clichê de valorização, de “como se conhece a felicidade sem viver a tristeza?”. Do quanto essas experiências nos acrescentam, nos fazem amadurecer etc. etc. etc. Seria mais fácil se nesse sentido fôssemos todos tão infelizes..., tão felizes..., se em cada um dos dias, você soubesse e aceitasse que os sentimentos opostos estariam por vir.

Alguém realmente consegue pensar nisso em qualquer hora de felicidade ou tristeza ou medo ou angústia? Já não haveria surpresas. Já não haveria incômodos, incertezas, incoerências. Seriámos programados a aceitar as curvas desses altos e baixos da vida, com a delicadeza, com a tranquilidade que, definitivamente, não existe em nenhum de nós.

Somos todos idiotas, estúpidos, incoerentes... Por deixarmos os sentimentos aflorarem a tal ponto que se guarda o controle no bolso e fala e faz o que não deveria falar ou fazer. Somos? Fazemos isso. Mas somos qualquer coisa especifica por isso? [...] Somos somente os loucos que por mais improvável que pareça acreditam em “segundas chances”, acreditam que devem falar tudo, acreditam que a sinceridade vai construir uma história melhor do que passar os dias fingindo, com um sorriso torto,  aceitar tudo como é.

Não importa o quão estúpido pareça. Não importa o quão imaturo pareça. Ninguém precisa passar os dias preocupando-se com o que qualquer um vá pensar. Todos podem ter certeza que qualquer das observações ou criticas passaram pela cabeça antes. Antes de cada frase, antes de cada mensagem, cada ligação, cada insistência... Só não acho que devamos parar, não por isso. O tempo é suficiente para certezas e arrependimentos, ele é suficiente para nos deixar viver e depois deixar tudo, sem que ao menos se dê conta, ir.

E assim uma nova história começa e, acompanhada ou não, sempre vale a pena.  

terça-feira, 24 de abril de 2012


Decidi não falar muito alto dessa vez, emendar um sussurro no outro, explodir esses sentimentos de pura incoerência. Acordando antes do sol, o deixando ir lhe banhando pelas frestas da janela até decidir levantar.

Levantar para a vida que se abre tão lentamente, tão delicadamente. Seus passos caminham naquela mesma direção, naquele instinto que absorve os sentidos do ambiente. Sem pensar eles seguem. Tão devagar quanto pode, tão rápido quanto deve. 

Os instantes separam a noite do dia, de alguma forma também nos separam. Da junção deles podemos nos encontrar pelo meio do caminho. Esbarrar em uma rua comum, sorrir pelo canto da boca, fingir nossa intimidade, explicitar nossa distância. Alimentar.

Alimentar o espaço que se forma entre nós. Torná-lo palpável, visível. Os que nos assistem já podem perceber a primeira vista, já não há mais nada. O pouco tempo fez curar. 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Buscando o silêncio


A tranquilidade não é fácil de ser assistida. Os pés e as mãos ficam inquietos, o sorriso e o olhar ficam passeando pelos lugares. Aqueles que lhe afligem a memória, aqueles que contam de si mais do que a voz. Perdeu-se entre os cuidados alheios. Procurou a simpatia escorregadia dos sentimentos alheios. Deixou-se naquele confuso mundo de outras pessoas. Existia para essas outras impressões. Essas... Essas com as quais não pode contar. Porque o tempo não foi suficiente para que se fizesse entender. E talvez nunca seja. Escorrega em direção à própria vida. De uma á outra respiração, corre prendendo, segurando o fôlego, alimentando esperanças frágeis que se dispersam na primeira busca sem resposta. Olhou pra tela. Olhou pras telas. Aquelas que ficam tentando usurpar a sua vida. Aquele mundo paralelo que lhe preenche em horário comercial, que lhe preenche pela madrugada adentro. Que lhe suga em tempo integral. E sem resposta a respiração pausa. Ela deita com o olhar diferente. Com o sorriso parado. Aquele que não reage mais. Aquele que se acostumou. Buscando um utópico estado de paz absoluto. Buscando isolar-se das multidões que vivem em sua cabeça. 

Buscando o silêncio. 

domingo, 22 de abril de 2012

"Eu a amava, em suma. E era infeliz. Mas como poderia ela algum dia entender essa minha infelicidade? Há aqueles que se condenam ao cinzento da vida mais medíocre porque tiveram alguma dor, alguma desgraça; mas há também aqueles que o fazem porque tiveram mais sorte do que podiam suportar". 

(Italo Calvino)

terça-feira, 17 de abril de 2012

O que pôde fazer? Correr. De um prédio fechado, as paredes que se fechavam em torno de si. E corria. Como se pudesse passar por elas. Como se fugisse e ao mesmo tempo fosse de encontro aos seus medos. Estavam todos lá, tão presos quanto eu, mas parados. Comportamentos diferentes, com certeza.

Quem é capaz de correr e me encontrar na porta?

Sei que nossos medos, receios são os mais diversos. Sei que eles não se encontram em um ponto e passam a caminhar juntos. Sei que cada um tem suas próprias referências, vontades, desejos... Será que em alguma parte do caminho eles podem se encontrar outra vez? Ou será que fingimos demais, que mantemos os nossos sonhos calados para tentar viver essa coincidência?

Uma breve coincidência.

Uma que não lhe deu tempo de falar ou demonstrar qualquer coisa, além da reserva que tem em relação a qualquer outra pessoa que chegue perto e ocupe um pouco os seus pensamentos.

Foi do jeito errado? Já não dá pra saber e talvez nem mesmo importe.  Essa intenção de progredir com a vida em fases, de ir amadurecendo, crescendo... Em alguns pontos encontra falhas. Em algum ponto todos nós somos extremamente imaturos, não é a idade ou o que já viveu antes que dita certo sentimentos. As diferenças estão em quem consegue ou não contê-los, disfarça-los, fingi-los.

Passamos de um ponto para outro. Do que começa ao que acaba. Do que alimenta ao que mata algumas esperanças. A vida é cheia desses clichês que parecem obra do acaso, que parecem contar e coincidirem na vida de cada um. Somos diferentes, definitivamente. E, ao mesmo tempo, tão iguais. Tão insensatos, tão difíceis, tão complexos...

Dias

É assim que acontece um dia.

Em um dia você aprende a sufocar esses sentimentos. 
No outro decide abrir as portas do mundo. 
Em um dia sente falta. 
No outro acorda com um sorriso incontido no rosto. 

Aquele simples dia em que volta à sua determinada tranquilidade e leveza.

A sucessão de dias.

O tempo que vai sendo preenchido. 

Dispersa os próprios excessos e deixa a calma entrar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Aprendi a arte da insistência do jeito errado. É como se me colocasse sempre diante das coisas, como se deixasse esse ir e vir, esses caminhos meio escuros que vão se abrindo tomarem conta de parte dos meus dias. Nem sei como. Já me orgulhei das minhas características mutáveis, daquele aprendizado que vai correndo junto com você em direção a qualquer coisa que lhe pareça bom naquele breve momento. Depois de instantes, no máximo alguns dias, o tempo muda, o humor muda, o sentido daquela decisão que anteriormente parecia tão acertada e esperançosa fica meio difuso. Você se pergunta se deveria ter parado e pensado um pouco mais, se deveria ter dado mais chance aos dias nublados, solitários, leves, calmos... Será? Será que a minha capacidade de encarar a vida tranquilamente sustenta outra pessoa? Será que a minha felicidade consegue absorver as concessões que têm que ser feitas? Será que eu sou realmente capaz disso? Dessa insistência. Dessa dúvida. Desse excesso de cuidados do que pode ou não ser dito, do que pode ou não ser feito?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

...

A gente conversa durante algum tempo. Um fingindo que ouve o que o outro fala. Os dois tentando adivinhar o que sentem. Quanto tempo dura as incoerências entre os sentimentos e as suas ações? Até quando resiste ao tempo incompleto que o mundo lhe dá? Estou sempre indo de encontro ao que deveria ser a minha tranquilidade. Será que realmente adianta insistir, adianta sufocar isso, adianta tentar? Quando o equilíbrio se dispersa essas minhas mesmas histórias perdem o sentido. Já não me sinto suficiente. De um dia pro outro não me sustento mais, não completo mais. Sou uma fração, um pedaço, uma parte minha da qual sempre tento fugir. Uma parte que tenta sufocar, uma que me tira o sono, a paciência... Uma que aparece do nada pra tomar o lado bom das coisas que eu posso viver. Preciso me soltar dessa parte... Preciso voltar...